Eu x cocaína .

Me encontro na fase mais difícil da minha vida até agora, superar vícios é extremamente difícil, ainda mais quando achamos que faz bem. Sou viciada em cocaína, estou internada em uma clínica de reabilitação a 4 meses e mesmo assim não consigo passar um dia se quer sem pensar na droga.

Droga, o nome já diz, fazem 5 anos desde que experimentei a primeira vez, costumava dizer para todo mundo que foi amor a primeira vista, a princípio realmente foi, ao passar dos anos me tornei cega, segundo dizem, o amor é cego não é mesmo?, fui gostando mais e mais, quando vi já estava usando todos os dias em todas as situações da minha vida, para sair com amigos, ir ao supermercado , consultas médicas, fazer exames, ir ver minha mãe, e tudo o mais. Eu não conseguia ter consciência do que eu estava me tornando, teve uma situação em especial em que eu não podia usar  nada e nem beber mas mesmo assim eu fiz. Fiz uma lipoaspiração, e uma semana antes não se pode ter contato com nada ilícito, porém eu tive, um dia antes da cirurgia fiz uma consulta pré-operatória , a médica me fez a seguinte pergunta, ” você teve algum contato com coisas ilícitas essa semana?”, respondi então que sim, era uma senhora quem me atendeu, ela então arregalou os olhos e perguntou o que eu tinha usado e me aconselhou a não usar mais até o dia seguinte que seria a operação, logicamente que não segui seus conselhos.

Após a  cirugia eu teria de voltar no consultório para fazer procedimentos estéticos pós-operatório, todas vezes que eu estava sob efeito da droga, eu não conseguia ver que eu estava completamente viciada naquela época, ia ao consultório e todos ficavam me olhando e eu não sabia o porque, hoje eu sei.

A coisa começou a piorar um ano e meio atrás quando comecei a usar todos os dias, eu não tinha com o me preocupar ainda, até que então fui obrigada a ter consciência de que eu estava absolutamente viciada. Procurei uma clinica de reabilitação para me recuperar, achei a melhor clínica do brasil chama “Maxwell”, a coisa não é para qualquer um, pois não é uma clínica  armadora como muitas que existem, o preço a se pagar é bem recheado, entretanto, isso não importa, o que realmente e é relevante é a minha recuperação e não sinto que vou me recuperar porque  eu vejo coisas positivas na droga, por exemplo: tenho menos apetite, e sou obcecada em ser magra e a droga ajuda muito,me ajuda a estudar, expande minha mente e etc…

Um viciado só se recupera se ele quiser e é ai que eu não me encaixo, quero usar para ficar magra, somente por isso, e não sinto a vontade de me recuperar, no entanto, eu sou obrigada a me recuperar, se não fizer isso perco a coisa mais importante que tenho, meu namorado que não aceita, e que esta me ajudando em todos os sentidos.

O real motivo de eu ter procurado essa clínica foi justamente para salvar meu relacionamento que estava à beira de  um precipício , meu namorado não sabia do meu vício, eu contei para ele com a ajuda do meu psiquiatra um dia antes de vir para clínica. Pela falta de conhecimento que meu namorado tinha ele não conseguia entender minhas variações de humor, falta de vontade de fazer alguma coisa e todos os desentendimentos que tínhamos, a partir do momento em que ele soube que eu era viciada ele passou a entender tudo e me dar força para me recuperar. Ele faz de tudo para que eu me sinta bem e tenha vontade de melhorar. 

Com esse tempo que estou passando na clínica pude ver quem são as verdadeiras amizades, e quem realmente se preocupa comigo. Posso dizer que tenho bons amigos e meu amor que é a coisa mais importante para mim.

A cada dia que passa aprendo um pouco mais sobre a vida, e as diversidades das pessoas.  

Esse momento é  importante para que eu  possa ver as coisas que  evitava ver. Chega de ilusões auto-impostas! Por mais dolorido que seja, é hora de identificar o que precisa ser mudado e parar de projetar expectativas excessivas nos outros, afinal isso não é justo nem comigo nem com os outros. Confrontar-me com os fatos, ainda que uma parte minha evite tacitamente fazê-lo, por puro medo de sofrer. É importante saber que sofro mais ainda quando insisto em histórias que não dão certo. A maior parte dos meus  sofrimentos deriva de insistências tolas que faço, a despeito de todos os conselhos em contrário.

Karen Padilha

 

 

 

 

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