Não ter vergonha de si mesmo.

Aqueles  que me acompanham  devem se perguntar se tenho receio ou vergonha de falar sobre meu vício e o quão difícil está superá-lo, a resposta é não, acredito que falar sobre me ajuda a colocar o que sinto para fora e talvez ajudar alguém que possa estar passando pela mesma coisa e que diferente de mim não tem coragem de expor.

Não me tornei uma garota viciada da noite para o dia, isso levou um certo tempo, tempo esse em que eu estava cega e não vi o que estava acontecendo ao meu redor e o caminho que eu  estava tomando. É fácil cair no vício, ou talvez não seja, conheço pessoas que fazem o  uso e não são viciadas, não deixaram que fossem controladas, pode ser que eu tenha sido fraca, ingênua demais e tenha me deixado levar por uma doce ilusão. Tão doce como um primeiro beijo dado na pessoa que se ama, uma coisa que sevai vivendo, cada dia que passava eu me tornava mais refém, ia dormir( quando dormia)  pensando na  droga e acordava pensando, quando queria e não achava saia em desespero procurando cada canto de casa, revirava o lixo, as gavetas, deixava a casa de pernas para o ar atrás, da mesma forma ficava quando estava usando e acabava e eu tinha de esperar virem me entregar, em completo desespero.

Na época mais crucial em que estava vivendo, eu não conseguia ver o lado ruim da coisa,pois eu estava magra da forma que sempre sonhei, minha cabeça, cérebro  se expandiu de uma forma como nunca antes, foi quando eu comecei com esse site e minha pagina no facebook e instagram, quando eu me tornei colunista de um dos sites mais famosos,  ” O Segredo”, quando comecei a fazer curso sobre  temas variados  on line e com certificados, foi quando  eu consegui tirar mais proveito de toda a minha sabedoria e colocá-la para fora, com essas  coisas acontecendo eu não tinha tempo para enxergar lado ruim nenhum, só existiam lados bons. Até que passado um tempo, eu comecei a não conseguir ficar ligada e prestando atenção em aulas ou em qualquer outra coisa que requeria algum tipo de atenção, minha memória dos cursos que fiz começou a sumir, pois o que eu obtive foi memória a curto prazo, e não pude mais absorver todo conhecimento que ganhei, eu esqueci tudo. O  lado ruim começou então  a se apresentar, mas já era tarde demais, eu já estava completamente tomada pelo vício e mesmo assim continuava cega e não via a Karen anoréxica e doente de quem as pessoas estavam começando a falar, eu olhava no espelho e  amava o que via, e como  sempre fui não liguei para o que as pessoas falavam, afinal é só o que elas falavam e nada mais, hoje se me perguntarem se eu gostaria de voltar àquela minha aparência a resposta é sim, porque era a forma que eu vivia bem comigo mesma.

Não sinto vergonha de escrever e publicar  nada disso, pois são minhas vivências e em cada uma delas deixarei uma lição que eu tenha aprendido.

Karen Padilha

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