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Eu X Cocaína: O jogo virou.

” Usei bastante cocaína, mas a deixei quando não me excitava mais. Preferi continuar vivendo e ficar lúcido.” Pedro Almodóvar. 

Nem todas as situações, por mais dura que sejam, terminam quando achamos que devem terminar. Não duram mais do que fora predestinado e acabam na hora exata quando aprendermos o que nela tínhamos de aprender. 

Há pouco menos de um ano, sobrevivi ao que posso dizer, uma das fases mais complicadas de minha vida. Uma fase em que eu não acreditava e até agora não acredito como eu possa ter superado.

Isso era sem dúvida alguma, uma coisa que eu já tinha perdido a esperança de melhora, de superação,  já tinha desistido de lutar.  O vício em cocaína me levou ao abismo mais profundo e amedrontoso que possam imaginar. 

Passei as mais diversas situações e algumas delas vergonhosas. 

Algo que foge do meu conhecimento me aconteceu. Eu mudei da noite para o dia, eu parei então de usar a droga por algum milagre acredito eu que possa ter acontecido dentro de mim. 

Hoje, depois de algum tempo sem usar dessa substância, me deparo com as lembranças dos momentos vergonhosos que passei, das situações em que eu me encontrava, e agradeço muito por algo ter acontecido comigo. 

Ainda é muito difícil acreditar que eu realmente parei de tentar substituir algo que me falta com uma substância que me deixava anestesiada e assim não sentia nada. O motivo de eu ter usado tanto e ter me viciado da forma que eu me encontrava, fora por eu buscar na cocaína algo que falta dentro de mim para me preencher. 

Quando usava então, eu tinha a sensação de que nada estava me faltando, de que eu era demais, me sentia uma super heroína. Até que, depois de algum tempo, de tanto eu fazer o uso, ela parou de me dar essa sensação, e eu passei a ser uma pessoa totalmente diferente. 

A partir de um determinado momento, eu deixei de ser a pessoa animada, positiva, disposta, para ser uma pessoa completamente sem energia, negativa e indisposta. Eu parecia um animal enjaulado, eu tinha medo, eu não tinha a capacidade mental mais para conseguir sair de casa, eu me encontrava em uma situação psíquica deplorável. 

Infelizmente, ainda nessa época, eu tinha consciência de que estava fazendo a escolha errada em continuar usando a droga, mas eu não sabia como parar, eu não queria, eu queria continuar ficando fora de mim, ficar vegetando, sem estar apta a tomar decisões em situações em que eu tinha de fazer. 

Eu tinha perdido o meu poder de tomar decisões, de distinguir o certo do errado. 

Uma parte de todos os motivos que ainda dificultam meu olhar para essa situação de forma em que eu acredite que eu realmente tenha vencido, é porque eu nunca achava ou acreditava que eu iria conseguir fazer isso, porque a única coisa que existia na minha mente e na minha vida era a cocaína, eu vivia para ela. Ela mandava em mim. Eu sempre dizia que fomos feitas uma para a outra, dizia que era a paixão , o amor da minha vida. 

Realmente, não ficamos sempre com os amores de nossas vidas. 

Não pretendo ficar escrevendo textos como se eu fosse uma ex-drogada, porque não acredito nisso, e não me ac apenas aprendi a conviver com o fato de que eu sempre vou ter vontade de usar cocaína e que agora eu aprendi a controlar as minhas vontades e distingui-las entre certas e erradas. 

Karen Padilha

 

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