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O tempo é uma dádiva

“Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.” (Sêneca)

 

Sobre o que escrever? Essa pergunta paira sobre minha cabeça constantemente. Sempre gostei de escrever, sempre tive emoções, sentimentos, experiências que gostava de expressar pela arte de escrever. Em algum momento, sinto que perdi aquela mágica que me fazia sentar, pegar meu computador e simplesmente escrever.

Não parei de viver, de sentir as coisas, tudo continua acontecendo, só que de uma maneira mais dolorosa, porque tudo acontece dentro de mim, não sou mais capaz de expressá-las.

Agora sinto que chegou a hora de recuperar tudo o que perdi: meu talento e minha paixão pela escrita, minha vontade e forte necessidade de realizar ideias no mundo da realidade concreta.  

Acredito que o fato de eu ter perdido minha vontade de escrever, de ter perdido aquela mágica de que falei, em parte, deva-se a essa “couraça” de defesa que desenvolvi e se manifesta como desconfiança e tendência a manter um pé atrás diante de pessoas muito agressivas. Aconteceram muitas coisas que me inclinaram a não acreditar mais nas outras pessoas, nas promessas, palavras, a não acreditar em ninguém mais além de nós mesmos.

Quando experienciamos um grande choque na vida, ficamos muito vulneráveis e nos esquecemos de quem somos, do que gostamos de fazer, esquecemo-nos de viver e passamos a ser um viajante nessa Terra. Sem rumo, sem perspectiva, som sonhos, metas, esquecemo-nos de tudo isso, mas não porque queremos, e sim porque nos fizeram querer esquecer, querer não mais viver.

Essa fase de esquecimento de quem somos, do que queremos, de viver a vida que temos depois daquele grande choque que citei acima, não passa tão rápido e, para ser franca, eu nem sei se passa.

Mas uma coisa é verdade: não podemos viver no fundo do poço, sentindo autopiedade para sempre. Vai chegar a hora de nos reconstruir novamente e com uma coisa muito importante ao lado: o conhecimento, a experiência.

Tudo aquilo que lá atrás levou você para o fundo do poço de hoje será o que o reerguerá, pois você aprendeu alguma coisa e sairá mais firme, mais consciente, inteligente e forte para começar de novo.

Não existe outra maneira de aniquilar uma dor por completo, se não a sentirmos inteiramente até o fim. 

De tudo o que eu aprendi e sempre tenho em mente é que o tempo é uma coisa valiosa e definitivamente tudo aquilo que vivemos, todos os desafios que enfrentamos, cada segundo que já se foi enquanto eu escrevo este texto e enquanto você lê será eventualmente a lembrança de um tempo que já se foi.

Nosso presente diário é o tempo, com ele podemos fazer e ser o que quisermos, afinal viver é isso, significa para todos nós transformar constantemente o que somos, e o tempo nos permite isso.

É realmente uma dádiva.

Karen Padilha

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